Figuras: Manuel Fernandes Tomás

Manuel Fernandes Tomás

Manuel Fernandes Tomás

A Revolução Liberal ocorreu em 24 de Agosto de 1820 e dela foi principal mentor Manuel Fernandes Tomás, a quem Almeida Garrett apelidou de “patriarca da regeneração portuguesa”. Foi um dos fundadores do Sinédrio e um dos principais mentores da Revolução de 1820. Com esta Revolução se instituiu uma monarquia liberal, consagrando esse regime na Constituição de 1822, aprovada pelas Cortes e que foi a primeira Constituição de Portugal.

Magistrado e legislador de profissão, foi escolhido como vogal da Junta Provisional de Governo do Reino em 1820. Deputado e Presidente das Cortes Constituintes e detentor das pastas do Reino e da Fazenda em 1821, Manuel Fernandes Tomás integrou, entre outras, a comissão encarregada de elaborar as bases da Constituição jurada por D. João VI.

Pessoalmente, aconselho a todos a leitura do seu “Relatório do Estado Público de Portugal em 1820” (seguir o link).

O Patriarca da regeneração portuguesa

«Raiou o grande dia 24 de Agosto, o primeiro da liberdade portuguesa; infantigável não descansou desde então: havia entrado na arena, não voltava sem ter prostrado o grande inimigo com quem travara: este inimigo vós o conheceis, e bem mal que todos os conhecemos! era o despotismo: aterrou-o, venceu-o. Portugal tornou a ver as suas cortes, e a nação teve quem o representasse: toda a Europa admirou com respeito um congresso ilustrado, e no meio dele o campeão da liberdade, o patriarca da regeneração portuguesa: vede-o como alça denodado o trovão da sua voz enérgica para fulminar antigos abusos, e destruir arraigados vícios: a sua eloquência despida de pompas não respira senão verdade: severa, e descarnada só põe mira na utilidade comum, e no bem da Pátria: vem-lhe do coração franco aos lábios sinceros, por natural impulso de indefeso zelo: no estirado curso de comprida legislatura sempre o mesmo, sempre incansável, debalde a moléstia lhe abate as forças; o ânimo é sempre igual; nem há poder que o mingúe, nem doença que o desfalque.

«[…] Manuel Fernandes Tomás morreu: derramemos lágrimas de gratidão e de saudade: este é o verdadeiro elogio fúnebre dos grandes homens; estas lágrimas são as honras do seu funeral, são as pompas do seu enterramento: elas terão lugar na história, elas serão o epitáfio eloquente que mostrará aos vindouros o jazigo das suas cinzas gloriosas: molhai com essas lágrimas a pena da verdade, e escrevei-lhe sobre a lápide sepulcral – “Aqui jaz o libertador dos Portugueses: salvou a Pátria, e morreu pobre”.»

Almeida Garrett, in Oração fúnebre de Manuel Fernandes Tomás, lida a 27 de Novembro de 1822 em sessão extraordinária da Sociedade Literária Patriótica.

Paulo Rei Figueiredo, 07 de Janeiro de 2011

 

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