A pior forma de viver, morrendo

O ar nacional é irrespirável, sulfuroso, e não é arejado há décadas. Papagueiam-se repetidamente as mesmas frases e, sinceramente, desconfio que ficamos todos lobotomizados pela incapacidade de sermos intelectualmente honestos.

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Não somos um povo pacífico, estamos, é, todos aparvalhados pela estupidez generalizada.

Nos nossos cantinhos do dia-a-dia é como se o ar que transporta as palavras fosse o elemento contaminador de tudo, como se fosse ele que descaracteriza as pessoas que o inalam e exalam vezes sem conta, dentro e fora, fora e dentro.

Não sou adivinho, mas acerto repetidamente nas frases que são proferidas. Já as ouvi vezes sem conta. Bolas, já disse que não sou adivinho! Simplesmente constato que somos um país zombificado; angustiantemente temos de reconhecer que estamos mortos, mortos por dentro, e pior que tudo isso, sem direito ao descanso que os mortos têm.

Somos incapazes de fazer uma reforma que tenha sentido, tomar uma decisão que exige ruptura ou sequer assumir uma opinião que seja contrária à maré e quando a maré mudar lá iremos todos novamente nessa corrente que, em paninhos quentes, nos enrola e mumifica.

Porém, o que mais me irrita são os palhaços que andam pela política de mãos dadas como esquizofrénicos. Deles não se conhece uma ideia, nem seria politicamente correto que eles a transmitissem. Sabem que mais, tenho saudades dos tempos em que os palhaços iam com o Coelhinho e o Pai Natal no comboio ao Circo.

Nesta Páscoa estamos como mortos, tendo de viver com os olhos abertos e sentir esta lenta crucificação de um povo sofrido. Infelizmente esta é a pior forma de morrer vivendo.

Paulo Rei Figueiredo, 8 de Abril de 2012

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